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fernanda
16 July 2013 @ 04:32 pm
Ontem eu descobri que existe o dia do homem. Minha primeira reação? Ah, os dias para celebrar quem nunca sofreu preconceitos.

Homenagens como o Dia da Mulher, do Orgulho Gay e da Consciência Negra existem para celebrar todas as conquistas que essas minorias alcançaram e relembrar que ainda falta muito o que percorrer. E por isso, quando escuto falar em datas como Dia do Homem, Orgulho Hétero e - pelo amor de deus - Consciência Branca, é impossível não revirar os olhos.

Não há necessidade de se celebrar o orgulho de ser hétero porque héteros nunca foram tratados como aberrações, doentes e pecadores; nunca foram privados de seus direitos civis ou tiveram que temer pela vida pelo simples fato de ser hétero; nunca tiveram nenhum motivo para não ter orgulho de ser o que são.

A Consciência Branca devia ser a percepção de que o preconceito contra o negro não deixou de existir com a assinatura da Lei Áurea; devia ser notar toda discriminação que ainda rodeia a raça negra e como a integração racial ainda é extremamente precária.

Mas o dia do homem, eu percebi, deveria existir, sim. Não pra celebrar a loira gelada, futebol e bundas, como a gente vê pelo Facebook - porque, de novo, pelo amor de deus. Mas deveria existir, sim, para todos os homens que também sofrem com o machismo nosso de cada dia. Porque as pessoas costumam esquecer que machismo não prejudica apenas mulheres.

Então hoje eu gostaria de desejar feliz dia dos homens para todo homem que não nasceu biologicamente homem; para todo homem que gosta de homem e não é nem um pouco menos homem por isso; para quem já teve que ouvir que "homem não chora" e que "macho de respeito" não faz isso ou aquilo; para quem já foi ridicularizado por fazer ou gostar de "coisas de mulherzinha"; enfim, para todo homem que já se sentiu limitado, humilhado ou constrangido a não ser exatamente como é.

Para todos vocês, de todo meu coração, sintam-se celebrados.
 
 
fernanda
15 July 2013 @ 12:21 pm
Nas últimas semanas eu já discuti sobre esse assunto uma dúzia de vezes - o que foi ótimo, porque eu fui juntando uma quantidade razoável de informações a respeito. E pelos posts compartilhados e opiniões expressadas no Facebook, parece que a maior parte das pessoas é contra a vinda dos médicos estrangeiros. Mas mais que isso, eu tenho notado muita gente falando coisas que me leva a achar que a pessoa não sabe de verdade sobre o que está falando. Sem julgamentos, amigos, a primeira vez que eu falei sobre isso eu também não sabia nada, e tenho certeza que ainda não sei de muita coisa. Mas essa é a mágica de se conversar e pesquisar sobre os assuntos: a gente aprende.

Então, semana passada, enquanto eu estava lendo mais uma leva de posts em blogs e sites, resolvi fazer um, também. Um mais elaborado do que as discussões no Facebook, quero dizer; tenho a impressão de que essas coisas sempre se perdem em algum ponto, ficam confusas e incompletas. E como a questão toda aqui eram as coisas que eu vi as pessoas falando, vou fazer o post por tópicos das coisas que eu mais ouvi por aí.


1. O problema da saúde não é só falta de médicos, é falta de infraestrutura. A importação de médicos é tapar o sol com peneira.

Sim. Particularmente eu nunca entendi esse argumento, porque ninguém disse que infraestrutura não era um problema. Acho que não há um brasileiro, contra ou a favor da importação, pobre ou rico, palmeirense ou corintiano que não concorde que há muito o que melhorar no nosso sistema de saúde. Mas uma coisa não anula a outra. Melhora na infraestrutura, no entanto, não é uma coisa que acontece da noite pro dia. É um projeto de médio prazo, que levaria algo em torno de cinco anos, no mínimo, pra acontecer, e enquanto isso pessoas estão morrendo.

Não vou dizer que discordo do argumento de que isso é medida paliativa. Isso por isso mesmo não vai adiantar em nada. É necessário, sim, que haja um investimento na área da saúde e que seja devidamente direcionado para as áreas mais problemáticas. Mas, como eu disse, enquanto isso pessoas estão morrendo. Medidas provisórias são necessárias, as pessoas só têm que lembrar de tratá-las como elas são: temporárias.

E como manifestar está na moda, que a gente vá às ruas exigir outras medidas também. Que a gente vá cobrar esse investimento. Que a gente acompanhe se ele realmente está acontecendo. Que a gente comece a pedir as prestações de contas. Que a gente pare de reclamar das medidas tomadas e cobre as não tomadas.

Porque o problema é, também, a falta de médicos.


2. O Brasil tem 1.8 médicos por mil habitantes e o ideal é 1. Nós temos médicos suficientes.

O Brasil tem 1.8 médicos por mil habitantes e há países que tem muito mais que isso, e ainda assim sofrem de desequilíbrio na distribuição desses médicos. Nós temos médicos suficientes na área privada, nós temos médicos suficientes no sul, no sudeste e no DF. Mas se nós tivéssemos médicos suficientes nas regiões para onde os médicos estarão sendo importados, não precisaríamos estar tendo essa discussão, não é mesmo?


3. Ah, mas os médicos não vão para essas regiões por falta de infraestrutura.

Talvez sim, talvez não. A verdade é que a probabilidade vai contra essa afirmação. Mesmo que haja infraestrutura, as pessoas ainda prefeririam ficar em áreas mais desenvolvidas do país. Porque é natural. E é por isso que o Brasil não é, nem de perto, o único país que sofre com isso. Importação de médicos não foi uma coisa que a Dilma inventou porque é véspera de eleições. Nós não somos o primeiro país a precisar disso e não seremos o último.

Mas digamos que o problema seja a infraestrutura e que, uma vez que isso seja resolvido (o que nós temos sempre que acreditar, e brigar, pra acontecer, ou a coisa toda não faz o menor sentido), os médicos brasileiros irão de bom grado para essas regiões necessitadas. ÓTIMO! A questão toda de uma medida provisória é que ela acabe, um dia. Já foi falado mais de uma vez que os médicos brasileiros têm prioridade sobre essas vagas que estão sendo oferecidas aos estrangeiros. Existem programas e mais programas, pagando muito melhor que nas regiões sul e sudeste, aliás, para incentivar a ida dos nossos médicos pra lá. Mas enquanto eles não vão, tem quem queira ir, e tem quem precise deles lá.


4. E o que os médicos cubanos vão fazer, benzer os pacientes?

Primeiramente, vamos esclarecer: não são apenas médicos cubanos. Está sendo estudada a vinda de médicos portugueses e espanhóis, também.

Mas eu, Fernanda, sou a favor da vinda dos médicos cubanos. Por quê? Porque eles vão "benzer os pacientes".

O Brasil anda com uma falha muito grande na formação de médicos porque todo mundo sai da faculdade acostumado a lidar primordialmente com exames, e não com o paciente.

A taxa de mortalidade infantil do Brasil é altíssima, e grande parte destas mortes decorrem de coisas banais. Coisas que nós, de regiões mais desenvolvidas, nem ouvimos falar, porque está muito além da nossa realidade. E são coisas que um médico poderia resolver mesmo sem a assistência de equipamentos tecnológicos. Os médicos cubanos têm um treinamento baseado exatamente nestas situações precárias porque eles vivem nessa realidade. É por isso que eles são tão bons em lidar com crises, como o que aconteceu no Haiti.

Ninguém está dizendo que eles vão erradicar todas as doenças ou acabar com as mortes nas regiões precárias do país. Mas nós estamos falando de vidas aqui. Se eles diminuírem nossa taxa de mortalidade infantil, as mortes por complicações em gravidez ou, basicamente, qualquer tipo de morte, é lucro. E é muito lucro.


5. Mas eles virão sem passar por avaliação.

Essa foi uma das afirmações que eu mais vi, e que é mentira. O Ministro da Saúde informou que vai haver uma avaliação, sim. É lógico que ninguém vai jogar médicos no país sem saber se eles estão minimamente aptos.

Eles não vão ser testados, no entanto, pelo REVALIDA. Por quê? São dois motivos muito simples, na verdade.

O REVALIDA é um exame que, como o nome dá a dica, revalidaria o diploma estrangeiro e permitiria que o médico atuasse no país. O que significa que é como se fosse um diploma brasileiro e permite que se atue em qualquer lugar e em qualquer área.

A questão toda da importação é que eles atuem exclusivamente nos lugares onde há falta de médicos. Então de nada adianta dar a eles o poder de atuar no país inteiro. Isso sim criaria uma disputa por empregos. Isso não é uma vantagem para o país.

Nós também não estamos atrás de neurocirurgiões ou oncologistas ou dos médicos milagreiros de Grey's Anatomy e ER. O projeto é focado em médicos de família, que vão saber lidar com aquelas doenças básicas e que causam tantas mortes no norte e no nordeste. E por isso eles vão ser testados para essas coisas especificamente, e vão trabalhar com essas coisas, exclusivamente. A menos que eles queiram fazer o REVALIDA para poder atuar em qualquer área, claro - o que, aliás, eles vão ter que fazer se quiserem continuar no Brasil após 3 anos do contrato. Viu? Medida provisória.


Eu provavelmente esqueci de alguma coisa, mas acho que esses são os tópicos mais falados, então por enquanto é só.
 
 
fernanda
15 July 2013 @ 10:31 am
Naquele drama eterno do bloqueio criativo que só vai embora em semanas de provas ou quando o estágio não dá uma folga nem pra respirar, resolvi tentar um meme. Vou tentar fazer um por dia, but who am I kidding, se eu fizer um por semana serei feliz.

30 day Writing Project Meme
Day 1 - A main protagonist, their bio.
Day 2 - A Main protagonist’s love interest(s), their bio(s).
Day 3 - A main protagonist’s best friend(s), their bio(s).
Day 4 - A main antagonist, their bio.
Day 5 - The place a character sleeps.
Day 6 - The place a character works/goes to school/hangs out whatever.
Day 7 - A major story location.
Day 8 - A character’s parent(s) or guardian
Day 9 - A minor antagonist.
Day 10 - Your character when they were young(er)
Day 11 - What kind of people show up in the background in your world?
Day 12 - How does a character comfort themself?
Day 13 - What kind of foods are popular in the setting?
Day 14 - What is a character’s biggest regret?
Day 15 - What are a character’s bad habits?
Day 16 - What was a character’s first romantic and/or sexual encounter like?
Day 17 - What are popular sports and hobbies in your setting?
Day 18 - What would your protagonist do if they saw your antagonist on the street?
Day 19 - What would your antagonist do if they saw your protagonist on the street?
Day 20 - Demonstrate a character and their best friend and/or love interest interacting as they most commonly do.
Day 21 - What is a character’s deepest desire?
Day 22 - What animals appear in your setting?
Day 23 - A unique place in your setting.
Day 24 - Where did you draw inspiration for the setting/story from?
Day 25 - A character’s proudest moment.
Day 26 - What special talents or abilities does a character have?
Day 27 - Describe/Illustrate is an average day to a character.
Day 28 - A character’s most embrassing moment.
Day 29 - Describe/illustrate an important thematic element.
Day 30 - Describe/Illustrate a major event in the setting’s history.
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fernanda

title: something about it felt like home
pairing/fadom: dan/blair | gossip girl
rating/words: pg | 580
note: written for the teen ficathon. prompt: and I held her hand in mine, she squeezed it tight and I felt the warmth escape my bones inside, by ever_neutral.


Maybe was a long time ago, when they were sitting in a hallway and he really saw her for the first time.Collapse )
 
 
 
 
fernanda
é melhor olhar para o céu do que viver lá
A vida é assim: cheia de pequenas tragédias que nós chamamos de acaso.



i'm crossing you in style somedayCollapse )
 
 
fernanda
04 March 2012 @ 03:38 am
Eu não sei se eu acredito em Deus. Acho que eu gosto de pensar que sim, porque é reconfortante. Gosto de pensar que minha mãe está em um lugar melhor, como minha vó dizia quando eu era pequena. Que tem alguém cuidando de toda essa loucura. Então eu não penso a respeito e deixo por isso mesmo, fico com meu agnosticismo quem-sabe-teísta.

Mas não é sobre isso que eu quero falar. Outro dia eu compartilhei esse post no meu Facebook e meio que acabou na única coisa no mundo que eu detesto me envolver: debate religioso. Não me entenda mal, eu adoro discutir. Se tem alguma coisa que eu gosto em Direito, é exatamente isso. Mas não nesse assunto, porque, conforme a própria definição do agnosticismo, eu acho que "a razão humana é incapaz de proporcionar fundamentos racionais suficientes para justificar o conhecimento da existência ou não de Deus" (se tá na Wikipédia, deve ser verdade). E sem fundamentos racionais, não há argumentação. Mas tá ok, porque, afinal, fé não tem nada a ver com fundamentos racionais.

O meu ponto, e o que eu pretendia ao compartilhar o dito post (que é excelente, por sinal), é que eu não acho que isso realmente importe. Pra mim religião tem a ver com você estar bem com o que você acredita, com a sua espiritualidade, e eu não acho que isso torne incompatível a convivência entre pessoas de diferentes crenças. Eu sou agnóstica e dois dos meus melhores amigos são católicos, outra é evangélica, outra é ateia. Meu pai não é religioso, a esposa dele é crente, e eles estão muito bem com isso, obrigada. Desde que haja respeito, e ninguém tente diminuir ninguém por causa de suas crenças ou descrenças, não há porque não haver harmônia. Você pode acreditar que a visão da sua religião é a certa, mas há por que desrespeitar a visão dos outros? A verdade é que ninguém nunca vai ganhar essa discussão.

Ter fé é louvável, e a verdade é que eu provavelmente invejo quem simplesmente acredita, sem ter dúvidas. Mas, se você quer minha opinião, ter respeito é o que é realmente divino.
 
 
fernanda
18 January 2012 @ 02:02 am

As pessoas andam falando muito sobre o ocorrido no BBB na madrugada do último domingo, e fala-se muito em opinião.

Ok. Você pode me dizer que assistiu ao vídeo - e ao vídeo todo, não ao censurado, por favor - e que acha que não aconteceu nada, ou que ela não estava dormindo. Eu vou achar isso um caso de ingenuidade ou de péssima interpretação, mas vamos chamar de opinião.

Bom, essa é a minha opinião.Collapse )

 
 
fernanda
23 October 2011 @ 05:56 pm
Acordei com vontade de falar de séries, então vou falar de Merlin porque o episódio de ontem foi muito foda – e pra ver se eu consigo convencer a Lorena que vale a pena voltar a assistir.

his name... MerlinCollapse )
 
 
fernanda
17 October 2011 @ 07:49 pm
something sicker | capítulo um: a mágoa é maior
Aconteceu assim: quando nós resolvemos nos hospedar em uma casa afastada em uma cidadezinha, nós achávamos que histórias de terror eram só de brincadeira.




Eu achei graça, mas esse era o primeiro sinal.Collapse )